Ainda me acostumando com a superexposição de blogs, sentindo, ao mesmo tempo, uma certa necessidade de escrever, e com a possibilidade de me arrepender.O carro da minha mãe -que é o carro da casa- deu um problema no som, o CD ficou preso lá dentro e é impossível dar eject. Eu não reclamo tanto, sorte ou não, o CD preso lá dentro é meu, e pra variar com uma seleção musical meio mistureba que parece só funcionar pra mim. Gosto do CD inteiro, Fiona Apple, Kaiser Chiefs, Gorillaz, The Shins, mas pro texto de hoje vai ser dedicado às duas primeiras faixas, que servirão de tema e também de sugestões. As duas combinam muito, de maneiras diferentes, com o que eu quero expressar, mesmo que a primeira combine mais com a minha tentativa (pretenciosa ou não) de mostrar uma Música Nova.
Pra fazer uma melhor introdução às sugestões musicais e pra que fique um pouco mais simples de entender os seus significados pra mim, eu tenho que falar um pouco sobre meu pai.
Meu pai, pra grande maioria (e grande mesmo!) é conhecido como Ary Pára-Raios, para mim, ele ainda é mais Ari José de Oliveira, e cultura sempre foi sua maior paixão. Quando falo (escrevo?) de cultura, estou falando em todas as dimensões da palavra, por mais incrível que isso possa parecer. Não vou prolongar e detalhar, mas lhes garanto que, como jornalista, ator, diretor, ambientalista e ecologista (sim, há diferenças) que veio lá de Sertanópolis, interior do Paraná, ele foi um incrível pai, herói e também mágico. Meu pai sempre quis o melhor pros seus filhos, mas o melhor mesmo. Acho que posso atrever a dizer que ele conseguiu fazer bem sua parte. E que tem horas que é impossível não sentir saudade. Acredito que devem haver vários tipos de saudade, mas vou falar das duas que eu considero principais. Vou classificá-las como saudade boa e saudade ruim, mas esteja livre pra classificá-las (ou não) da maneira que quiser.
A saudade boa é aquela saudade da pessoa, que está longe de você, mas que com o tempo você vai encontrá-la. Ela vai retornar pra você ou você pra ela, namorados, amigos, familiares, não importa, o que importa é que, de uma maneira ou de outra, sempre há formas de matar um pouquinho essa saudade. Telefone, carta, e-mail, isso se não houver o encontro cara-a-cara.
A saudade ruim, é mais complicada de se lidar, por conhecimento de causa eu sei disso. Fisicamente, você não vai mais encontrar a pessoa, não tem como matar a saudade. Não adianta telefone, carta, e-mail. É uma saudade que bate e dói tanto ou mais quanto a própria perda. Dói, e tem quedoer. Eu, eu mesmo, poderia fazer uma incrível (e longa) dissertação sobre isso, mas não acho que vem ao caso de por aqui dessa maneira.
Mas mais uma vez a música me ajuda um pouco, não mata a saudade, mas traz boas recordações em lindas memórias que ajudam um pouco a aliviar.
A primeira faixa, é de uma dupla que chama 1 Giant Leap, e a música chama My Culture. Imagino ser menos conhecida que a segunda faixa, mesmo que a segunda não seja lá muito conhecida, mas calma, ainda chegarei lá, seja paciente.
My Culture, representa um pouco do que aprendi com ele enquanto ele estava vivo e eu sei que conseguiria me expressar provavelmente melhor, mas -de novo- não vem ao caso fazê-lo aqui.
"And if I dont see that Im strong then I wont be
This is what my Daddy told me
I wished he would hold me
A little more than he did
But he taught me my culture
And how to live positive"
One Giant Leap - My Culture
(não sou nada fã do Robbie Williams, muito pelo contrário. Mas que essa música é boa, isso é)
This is what my Daddy told me
I wished he would hold me
A little more than he did
But he taught me my culture
And how to live positive"
One Giant Leap - My Culture
(não sou nada fã do Robbie Williams, muito pelo contrário. Mas que essa música é boa, isso é)
A segunda faixa, talvez eu consiga relacionar a letra mais comigo do que com o meu pai. Sem muita subjetividade, eu tenho problemas com horários. Atrasar sempre me parece ser algo que não consigo evitar. Com muito esforço (e quando julgo ser um esforço que, de fato, vale a pena) eu consigo estar de acordo como horário, a diferença é que as pessoas notam mais o atraso do que o ser pontual e eu não as culpo, não acho que seja uma virtude minha, é realmente problemático, mas ultimamente não tenho me atrasado pra quase nada. Talvez seja o fato de ter feito, estar fazendo e provavelmente vá fazer julgamentos errados, mas todos nós fazemos. Eita sensação de que eu sou o man que estão waiting for (sem egocentrismo).
Entra a pergunta, "Mas que deabos essa música tem a ver com o resto?!", eu pedi-lhe no começo, "seja paciente". Meu pai sempre teve seu lado diferente dos outros, não que ele admitisse, ou até soubesse disso, mas sempre foi assim. E com Lou Reed não era diferente. Enquanto todos estavam apenas dando olhos ao Ziggy Stardust (Sir David Bowie), meu pai já era fã de Velvet Underground (banda do Lou Reed que apareceu na década de 60) e o jeito um tanto bufão do Lou Reed. Foi ele quem me deu o primeiro disco do Lou Reed que eu tive Set The Twilight Reeling.
De certa forma, acho que no momento, I'm waiting for my man.
"Baby don't you holler, darlin' don't you bawl and shout
I'm feeling good, you know I'm gonna work it on out
I'm feeling good, I'm feeling oh so fine
Until tomorrow, but that's just some other time
I'm waiting for my man"
I'm feeling good, you know I'm gonna work it on out
I'm feeling good, I'm feeling oh so fine
Until tomorrow, but that's just some other time
I'm waiting for my man"
Lou Reed & David Bowie - Waiting For My Man
(O som está meio baixo, pode aumentar!)
Mas a saudade não precisa de classificação, porque as vezes, simplismente não dá pra descrever o tipo. Mas música as vezes faz uma mágica pra me ajudar a levar melhor, não só a música, claro, mas essa mágica as vezes é mais instantânea coma música. Saudade da pessoa que me mostrou que mágica existe de verdade, as vezes até em um truque de 21 cartas de baralho. E pode ser outra frase clichê, mas se eu for um terço de pai que ele foi pra mim, meu filhos vão ter um ótimo pai.
