segunda-feira, setembro 11, 2006

Em Cerrado...

É dia do Cerrado.
E hoje, a sensação é que nada nunca se encerra de fato.
A mistura de vontades contraditórias: o querer escrever muito -e ter o que escrever- e o não querer escrever nada.

As coisas as vezes parecem problemáticas, e tenho visto que isso é coisa minha. Não tenho um blog pra escrever pra mim. O que escrevo pra mim está muito bem guardado. Solucionáticas chegam aos poucos.

Sem mais delongas e com uma pitada de surreal e non-sense, deixo as minhas sugestões, assim, sem explicações.

Jackson do Pandeiro - Chiclete com Banana
Porno for Pyros - Good God's://Urge!





Vídeo de Good God's://Urge

quinta-feira, agosto 03, 2006

Peixe Grande

Ainda me acostumando com a superexposição de blogs, sentindo, ao mesmo tempo, uma certa necessidade de escrever, e com a possibilidade de me arrepender.

O carro da minha mãe -que é o carro da casa- deu um problema no som, o CD ficou preso lá dentro e é impossível dar eject. Eu não reclamo tanto, sorte ou não, o CD preso lá dentro é meu, e pra variar com uma seleção musical meio mistureba que parece só funcionar pra mim. Gosto do CD inteiro, Fiona Apple, Kaiser Chiefs, Gorillaz, The Shins, mas pro texto de hoje vai ser dedicado às duas primeiras faixas, que servirão de tema e também de sugestões. As duas combinam muito, de maneiras diferentes, com o que eu quero expressar, mesmo que a primeira combine mais com a minha tentativa (pretenciosa ou não) de mostrar uma Música Nova.

Pra fazer uma melhor introdução às sugestões musicais e pra que fique um pouco mais simples de entender os seus significados pra mim, eu tenho que falar um pouco sobre meu pai.

Meu pai, pra grande maioria (e grande mesmo!) é conhecido como Ary Pára-Raios, para mim, ele ainda é mais Ari José de Oliveira, e cultura sempre foi sua maior paixão. Quando falo (escrevo?) de cultura, estou falando em todas as dimensões da palavra, por mais incrível que isso possa parecer. Não vou prolongar e detalhar, mas lhes garanto que, como jornalista, ator, diretor, ambientalista e ecologista (sim, há diferenças) que veio lá de Sertanópolis, interior do Paraná, ele foi um incrível pai, herói e também mágico. Meu pai sempre quis o melhor pros seus filhos, mas o melhor mesmo. Acho que posso atrever a dizer que ele conseguiu fazer bem sua parte. E que tem horas que é impossível não sentir saudade. Acredito que devem haver vários tipos de saudade, mas vou falar das duas que eu considero principais. Vou classificá-las como saudade boa e saudade ruim, mas esteja livre pra classificá-las (ou não) da maneira que quiser.

A saudade boa é aquela saudade da pessoa, que está longe de você, mas que com o tempo você vai encontrá-la. Ela vai retornar pra você ou você pra ela, namorados, amigos, familiares, não importa, o que importa é que, de uma maneira ou de outra, sempre há formas de matar um pouquinho essa saudade. Telefone, carta, e-mail, isso se não houver o encontro cara-a-cara.

A saudade ruim, é mais complicada de se lidar, por conhecimento de causa eu sei disso. Fisicamente, você não vai mais encontrar a pessoa, não tem como matar a saudade. Não adianta telefone, carta, e-mail. É uma saudade que bate e dói tanto ou mais quanto a própria perda. Dói, e tem quedoer. Eu, eu mesmo, poderia fazer uma incrível (e longa) dissertação sobre isso, mas não acho que vem ao caso de por aqui dessa maneira.

Mas mais uma vez a música me ajuda um pouco, não mata a saudade, mas traz boas recordações em lindas memórias que ajudam um pouco a aliviar.

A primeira faixa, é de uma dupla que chama 1 Giant Leap, e a música chama My Culture. Imagino ser menos conhecida que a segunda faixa, mesmo que a segunda não seja lá muito conhecida, mas calma, ainda chegarei lá, seja paciente.
My Culture, representa um pouco do que aprendi com ele enquanto ele estava vivo e eu sei que conseguiria me expressar provavelmente melhor, mas -de novo- não vem ao caso fazê-lo aqui.

"And if I dont see that Im strong then I wont be
This is what my Daddy told me
I wished he would hold me
A little more than he did
But he taught me my culture
And how to live positive"

One Giant Leap - My Culture


(não sou nada fã do Robbie Williams, muito pelo contrário. Mas que essa música é boa, isso é)


A segunda faixa, talvez eu consiga relacionar a letra mais comigo do que com o meu pai. Sem muita subjetividade, eu tenho problemas com horários. Atrasar sempre me parece ser algo que não consigo evitar. Com muito esforço (e quando julgo ser um esforço que, de fato, vale a pena) eu consigo estar de acordo como horário, a diferença é que as pessoas notam mais o atraso do que o ser pontual e eu não as culpo, não acho que seja uma virtude minha, é realmente problemático, mas ultimamente não tenho me atrasado pra quase nada. Talvez seja o fato de ter feito, estar fazendo e provavelmente vá fazer julgamentos errados, mas todos nós fazemos. Eita sensação de que eu sou o man que estão waiting for (sem egocentrismo).

Entra a pergunta, "Mas que deabos essa música tem a ver com o resto?!", eu pedi-lhe no começo, "seja paciente". Meu pai sempre teve seu lado diferente dos outros, não que ele admitisse, ou até soubesse disso, mas sempre foi assim. E com Lou Reed não era diferente. Enquanto todos estavam apenas dando olhos ao Ziggy Stardust (Sir David Bowie), meu pai já era fã de Velvet Underground (banda do Lou Reed que apareceu na década de 60) e o jeito um tanto bufão do Lou Reed. Foi ele quem me deu o primeiro disco do Lou Reed que eu tive Set The Twilight Reeling.

De certa forma, acho que no momento, I'm waiting for my man.

"Baby don't you holler, darlin' don't you bawl and shout
I'm feeling good, you know I'm gonna work it on out
I'm feeling good, I'm feeling oh so fine
Until tomorrow, but that's just some other time
I'm waiting for my man"

Lou Reed & David Bowie - Waiting For My Man

(O som está meio baixo, pode aumentar!)


Mas a saudade não precisa de classificação, porque as vezes, simplismente não dá pra descrever o tipo. Mas música as vezes faz uma mágica pra me ajudar a levar melhor, não só a música, claro, mas essa mágica as vezes é mais instantânea coma música. Saudade da pessoa que me mostrou que mágica existe de verdade, as vezes até em um truque de 21 cartas de baralho. E pode ser outra frase clichê, mas se eu for um terço de pai que ele foi pra mim, meu filhos vão ter um ótimo pai.

sábado, julho 29, 2006

Para Dormir

Não sei se vou conseguir ser tão direto quanto gostaria de ser. Acho que este meu post vai ser um post ruim, professores poderiam mandá-lo pro lixo, mas não consigo evitar. Eu falo (escrevo?) demais.

Tenho me perguntado o porquê de as vezes sentir uma dificuldade de dormir. Trabalhando bastante, acordando (ou tentando acordar) cedo todos os dias, dormindo tarde (de fato) todos os dias, e as vezes com um sono turbulento, que nem sacolejo de avião. Ai de mim, com essa cabeça pensante.

Eu gosto muito de dormir, e, ao contrário do que muita gente pensa, não acho um tempo perdido. Infelizmente, há tempos não durmo nem o suficiente pra descansar, quem me dera o suficiente para me satisfazer.

Um minuto de silêncio para minha auto-piedade.

Minuto pequeno, mas intenso. Junto com a minha vontade e necessecidade de cair nos braços de Orfeu (meninos, sem piadinhas por favor), entra a a dica musical.
Querer dormir enquanto cansado parece uma tarefa fácil, proeza para qualquer um. Eu sei que não é bem assim que funciona, e u também sei que as vezes (e as palavras chave são as vezes)
uma boa música pode te ajudar.

Azure Ray - Uma delicada dupla formada por duas garotas. E eu cada vez mais fã de vocais femininos (mais e mais).
Tenho uma dificuldade de classificar todo tipo de música, muitas vezes é uma limitação desnecessária, mas li algo que as classificaram como Dream Pop, e me pareceu justo o bastante.

Ainda não testei Azure Ray como remédio (ou melhor, solução) para os meus problemas noturnos, mas eu aconselho o álbum Burn and Shiver para todos, independente de sua situação pré-onírica.
E de cara, ir direto na faixa12, Rest Your Eyes, talvez o nome já diga tudo.

Muitas vezes quando eu recomendo como um bom som para dormir, ouço um certo preconceito dizendo que música pra dormir é algo chato, que dá sono.
Eu discordo.
Necessariamente algo que dá sono é uma coisa ruim?! Muitos lêem pra poder dormir. Outros vêem filmes na televisão. Tem até os que apostam em algum tipo de exercício, seja físico ou intelectual.
Eu acho que uma boa música, mal não vai fazer.

Me resta esperar.
E a esperança é um dom que eu tenho em mim.

quinta-feira, julho 20, 2006

Todo ouvido


Com vontade de falar, mas sem vontade de escrever.

Sempre disposto a ouvir... até quando não tem ninguém falando.

Acima está minha mistureba musical.
Não sei qual foi o critério usado pra aparecer esse Top 10.

Maravilhas de uma playlist esquisita e um shuffle (in)eficiente? Não sei...
Mas não me incomoda nem um pouco.

"Je vais prendre ta douleur."

sexta-feira, julho 14, 2006

Em Alta.... Fidelidade?

Um dia me foi perguntado se eu achava que a fidelidade era um sentimento ou uma opção. Perguntinha difícil essa, capciosa. Na hora respondi, baseado em experiências não-vividas por mim, que era um sentimento . Talvez tenha me equivocado, ou talvez não tenha tido tempo pra pensar naquela hora, ou apenas não queria pensar.

Nunca soube -e ainda não sei- escrever direito, de maneira interessante, nem gramaticalmente correto, muito menos ortograficamente, e eu sei que as pessoas que o fazem são MUITO mais interessantes que eu por isso, palavras encantam e são encantadas. Talvez este seja um motivo por eu ser tão atraído pela música, ela consegue me expressar, muito melhor que eu mesmo (e isso pode soar meio adolescente mesmo, eu sei).

Alta Fidelidade - "A comedy about fear of commitment, hating your job, falling in love and other pop favorites"
Um dos meus filmes pop prediletos, por vários motivos, e egoísticamente não vou nomear nenhum deles.
O nome cabe perfeitamente pro filme e sua trilha sonora.
Fidelidade humana e sonora, isso engloba uma boa parte da minha vida.
Most of The Time

A trilha é deveras interessante, com músicas catchy e outras mais introspectivas.
Um filme sobre relacionamentos e música funciona muito bem pra mim, pricipalmente quando os relacionamentos não são apenas românticos e/ou amorosos.

A dica musical do post, é a trilha sonora do filme, músicas em vários e bons estilos.
Linda Lo Boob Oscillator, do Stereolab (banda que, infelizmente já não existe mais).
Elvis Costello, que há pouco tempo era artista novo pra mim, toca Shipbuilding.
Jack Black toca uma das minha favoritas do Marvin Gaye (clichê, eu sei), Let's Get It On
E entre várias outras boa bandas e músicas (Velvet Underground, Stevie Wonder, The Kinks), eu fecharia com Bob Dylan e seu Rock-Folk-Country-Pop-As-Vezes-Engajado tocando Most Of The Time, o ponto alto do CD pra mim.

Mas então... Fidelidade é sentimento ou opção?

No fim, a fidelidade deve ser uma opção. Você está com alguém por que quer que aquilo dê certo, e todos tem suas fraquezas. Mas ter fraquezas não quer dizer que não somos fortes. Sou fiel, por opção, sei que as vezes fico atraído por algumas experiências que não vivi e que eu sei que acontecem. Mas eu prefiro ficar com o real, com o que acontece, com o presente. Não sou o cara que viajou o mundo, que lê livros adoidado, nem assiste a filmes cult. Tenho me achado um pouco mais interessante ultimamente, talvez pela experiência de vida.
Não dá pra sempre ser novidade pra todos o tempo todo.
Mas é sempre possível supreender se você está disposto a ser surpreendido (eita.. será que é aí que mora o perigo?! E será que é de fato um perigo?! Perigoso!).

Sei bem o que é perda, e por isso talvez tenha uma capacidade um pouquinho mais aguçada pra saber se vale trocar algo que já tenho -que é bom e que eu sei que vale a pena ser supreendido- pelas borboletas no estômago que um dia voam pra longe e não voltam. Mas tenho o conhecimento que as vezes a surpresa pode ser ruim.

Nunca fui de tomar o que outras pessoas dizem como verdade, e nunca quis que outras pessoas tomassem o que eu digo como verdade. Auto-ajuda nunca foi preferência minha e auto-exposição também não.

Não vivo pelas regras, não amo pela cartilha, não me prendo ao pouco.
É errado querer o muito quando o único que pode (ou não) sair prejudicado sou eu?
Sou fiel, principalmente em relação a mim.